seja mais ousado

04/08/26

BOM DIA

seja mais ousado

às vezes, a vida te pede uma postura mais ousada para descobrir sozinho, fazer por si mesmo e criar os seus próprios termos. nem toda regra, nem toda dica e nem todo manual fazem sentido para você. a sua biografia pode estar gritando para que você mesmo a escreva.

….

  1. Mais um livro para a lista dos que ainda quero ler. 📚

  2. Fui assistir achando que seria mais um suspense, mas, na verdade, esse foi um filme que mudou por completo a estrutura e as estratégias por trás dos filmes de terror que viriam a seguir. Do gênio — e um dos meus artistas favoritos — Alfred Hitchcock. 🎞️

  3. E, por falar em filmes, aqui estão 5 recomendações para aqueles momentos em que você quer apenas um abraço — mesmo que ele venha da tela. 🤗

  4. Se você vive se cobrando mais disciplina, escutar isso pode te ajudar. ✍️

  5. Essa reflexão sobre como minimizar o tempo de tela fez sentido e traz várias das coisas sobre as quais sempre tratamos aqui. PS: para quem não domina o inglês, dá para colocar a legenda no modo de tradução automática. 🤔

  6. Que tal escutar uma música boa hoje? 🎶

Recentemente, não tenho tido mais vontade de abrir as redes sociais por um motivo muito peculiar, que não são nem as dancinhas — elas já até saíram de moda, né? — nem as propagandas.

É por causa daquele conteúdo que eu tenho certeza de que você já salvou, printou, tatuou e depois se frustrou por não conseguir seguir:

  • "3 dicas para..."

  • "5 lições de..."

  • "10 coisas que você precisa fazer para..."

  • "20 maneiras de..."

Qualquer conteúdo que começa assim tem me causado arrepios. Porque, no fundo, todos têm a mesma essência: existe um jeito certo de viver, eu vou te ensinar qual é, para que você se sinta ansioso por não saber e dependa disso aqui para aprender.

Todos os dias aparece uma regra nova, um hábito indispensável, mais um erro que você não pode cometer e uma técnica que promete mudar sua vida.

Todo mundo é viciado nesse tipo de coisa, e a plataforma sabe disso. De certa forma, não é surpresa que isso prenda a nossa atenção.

O nosso cérebro gosta de previsibilidade; portanto, gosta muito de regras, pois isso economiza energia. Também adora o sentimento de pertencer ao grupo, ou seja, seguir o que alguém mais está fazendo, pois isso se associa à sobrevivência.

E assim, quanto mais você salva, mais o algoritmo te entrega. Quanto mais ele entrega, mais você sente que ainda falta alguma coisa.

Mas, na próxima vez que um desses conteúdos aparecer para você, te convido a fazer um teste:

Não preste atenção apenas no que está escrito, mas também no que acontecerá dentro de você enquanto consome. Perceba como, a cada frase, provavelmente surge uma sensação de atraso, como se você estivesse devendo alguma coisa e como se existisse algo que ainda precisa e não conseguiu cumprir.

Tente perceber como aparece um sentimento de urgência, que traz, segundos depois, algo que costumamos chamar de ansiedade. E tudo isso ainda pode vir acompanhado de um gosto amargo de frustração e culpa.

Não é surpresa, mais uma vez — pensando em características muito próprias do nosso cérebro — que esse seja o andar da carruagem.

  • Mas é, sim, curioso como aceitamos receber instruções de pessoas que não fazem a menor ideia de quem somos.

Que fique claro: para mim, é muito importante ter referências e buscar aprender aquilo que ainda não sabemos, o que faz sentido, onde faz sentido e com quem faz sentido.

O problema desse fenômeno nas redes sociais é como isso vem em avalanche. Não deu nem tempo de digerir uma coisa, e já apareceu outra que você “precisa” absorver também, sem nem antes ter testado e dado tempo para as outras amadurecerem. Percebe?

Ninguém dá conta de acompanhar e absorver nessa frequência. Por isso, temos aprendido um pouquinho sobre tanta coisa — que, às vezes, nem importa tanto — e sobre quase nada de forma aprofundada.

  • Acordamos, e alguém diz como deveríamos acordar;

  • Almoçamos, e alguém explica como deveríamos comer;

  • Trabalhamos, descansamos, nos relacionamos, educamos nossos filhos, organizamos a casa... e sempre existe alguém dizendo qual é o jeito certo.

Será que essas pessoas realmente sabem qual é o jeito “correto”? Será que elas realmente têm repertório suficiente para dizer o que é o melhor para você?

É preciso desenvolver o mínimo de autoconfiança para entender que você é quem sabe mais sobre o seu caminho. Mas sabe qual é o problema? Isso exige tentativa e erro. E, muitas vezes, não estamos dispostos a nos arriscar e ter que lidar com alguma frustração.

É agindo na própria vida — assumindo responsabilidades e as consequências de escolhas, quaisquer que sejam elas — que finalmente entendemos que somos capazes de decidir o que fazer e sustentar isso. É só assim que você irá perceber que pode ser dono do seu caminho e ir construindo-o nos seus termos.

Pense na sua própria experiência, em como tudo o que aprendeu de verdade foi assim. Mesmo não sendo fácil, é indispensável, porque, no fim, ninguém além de você tem acesso ao que se passa dentro de você.

Mas vamos colecionando vários critérios de outras pessoas. Como se viver fosse executar uma lista de instruções, quando, na verdade, a nossa própria vida nos exige outra coisa: discernimento.

Nem toda regra serve para você. Nem toda dica merece ocupar espaço na sua cabeça. Então, você vai precisar filtrar aquilo que merece a sua atenção e o seu olhar. Porque os olhos são mesmo a janela da alma.

Aquilo para o que você olha na maior parte do tempo vai acabar moldando a sua forma de interpretar e lidar com o mundo.

Ao forçar seu cérebro a consumir — sem nem dar tempo de digerir — toda regra que aparece, você está deixando de lado uma das faculdades mais maravilhosas e diferenciadas que possui: o pensar.

Sem pensar, você vai viver segundo critérios que nunca escolheu. No fim, pode acabar não se reconhecendo na vida que foi tecendo. Por isso, aquela sensação de vazio e desorientação.

Sinceramente? Que se danem as regras que um influenciador ou outro tenta colocar na sua vida. Porque a sua vida não precisa de mais uma lista copiada de alguém. Acredite.

Na verdade, a sua biografia grita para que você crie critérios mais autênticos.

Então, antes de implementar a próxima dica, talvez valha se perguntar uma coisa: quem decidiu que ela faria sentido para a minha vida?

— @Sarinha

83,81% de vocês votaram "Sim" na enquete da última semana, dizendo que conseguiram, em algum momento do dia compartilhado com alguém, observar e controlar o desejo de cobrar do outro que veja o mundo pela sua perspectiva. A seguir, alguns comentários:

🤗 “Tenho 57 anos e meu filho mais velho, 29. Eu consegui ouvi-lo e me manter calado, respeitando a opinião e a decisão que ele tomou, sem impor minha perspectiva. Foi ótimo. Não dar palpite e aceitar é lindo.

👥 “Acredito que viver uma vida a dois é isso: cada um tem uma visão de mundo, uma perspectiva diferente, e não precisamos ser iguais para viver em harmonia. Podemos falar sobre o que estamos vendo, mas não é necessário que o outro veja da mesma forma — e está tudo bem!

✈️ “Eu tenho o sonho de morar fora do Brasil. Eu já viajei para muitos países, mas ainda não tive a oportunidade de morar no exterior. Tenho 33 anos e estou aplicando para um MBA na Europa. Venho de uma família simples e fui a primeira a fazer uma viagem internacional, e meu pai e meu irmão questionam o motivo de eu querer tanto essa experiência. Eu conheço outras facetas do mundo e, às vezes, julgo os questionamentos. É um desafio entender que cada um tem sua perspectiva e que o que é tão óbvio para mim irá gerar dúvidas no outro.

tradução: “nascido para ser a reviravolta do enredo em um mundo de histórias previsíveis.”

O desafio é muito simples e não poderia ser outro:

Ao longo desta semana, se proponha a pular, fechar, deletar, não gastar um minuto sequer e desconsiderar qualquer conteúdo com instruções e dicas que possam chegar como imperativos na sua vida.

Quero que você perceba que vai sobreviver sem isso e que, talvez, vai até se sentir bem melhor, mais calmo e confiante, sem sobrecarregar a sua mente com mais informações e cobranças do que ela precisa.

No fim, eu confio no seu potencial para criar a sua própria história — e você deveria confiar também.

Aquele que planta árvores sabendo que nunca irá sentar debaixo da sua sombra, pelo menos começou a entender o sentido da vida.

Rabindranath Tagore

Acredito mesmo que uma pessoa comece realmente a compreender o sentido da vida quando deixa de perguntar apenas: “o que posso tirar do mundo?” e passa a perguntar: “o que posso deixar nele?

É justamente uma pergunta que pode incomodar: você vive apenas para consumir a vida ou também para construir algo nela?

Existe, hoje, uma dificuldade em sustentar qualquer coisa que não ofereça retorno rápido, reconhecimento ou satisfação pessoal constante.

O valor de cada escolha depende diretamente do quanto ela beneficia o próprio indivíduo.

Será que isso faz sentido para a nossa natureza? As pessoas foram ensinadas a sugar muito e a se doar menos. Mas acontece que a nossa natureza é social, e não é uma questão de romantizá-la ou dizer que somos inclinados ao amor.

Existe uma linha relativamente consistente dentro da psicologia positiva, por exemplo, mostrando que relações significativas, senso de pertencimento, cooperação e altruísmo estão fortemente associados ao bem-estar e à satisfação com a vida.

Isso é interessante porque confronta diretamente a ideia moderna de que felicidade seria apenas maximizar prazer individual, conforto e satisfação pessoal.

Na prática, o ser humano parece funcionar melhor quando sai um pouco de si mesmo.

  • Quando ama;

  • Quando contribui com algo;

  • Quando participa ativamente de alguma coisa significativa;

  • Quando cuida e constrói junto de alguém.

Talvez realmente exista algo de muito humano nisso. Nós não parecemos feitos para uma existência completamente autocentrada. O prazer individual tem limite, e o sentido quase sempre envolve relações, bons vínculos e alguma forma de transcendência do próprio ego.

Já passei dos 30, me casei e agora meu maior medo é a maternidade. Sei que nunca estaremos prontas para esse momento, mas como saber que não vou me arrepender e tomar uma decisão consciente sobre me tornar mãe ou não?

Existe um ponto interessante sobre a raiz da indecisão diante de qualquer escolha a ser feita: o medo das consequências e uma insegurança tremenda sobre a sua capacidade de lidar com elas.

Na maioria das vezes em que não conseguimos escolher, estamos com medo do trabalho que existirá, de termos que nos reinventar diante de um novo contexto que aquela escolha traga e, especialmente, da falta que escolher implica. Afinal, quando se escolhe algo, acaba-se perdendo aquilo que não foi escolhido.

Por isso, a questão talvez não seja realmente se perguntar se está pronta. Você nunca estará, porque se trata de algo que nunca viveu. Não há como estar pronta e preparada para aquilo do que não faz ideia, mesmo que muitos te digam e que você já tenha convivido com a maternidade de perto.

A questão é outra: eu quero lidar com as consequências que certamente virão?

  • Eu estou disposta a me desapegar da minha versão atual para poder abraçar plenamente uma nova versão minha e aprender tudo o que ser mãe irá me exigir?

  • Eu quero lidar com as consequências de ser mãe tanto quanto a minha natureza foi preparada para viver?

Porque, veja bem: você está esperando uma segurança que é impossível ter. Não dá para ter certeza se vai se arrepender ou não de algo do que não faz ideia, simplesmente porque nunca viveu.

Arrependimento pode existir em qualquer um dos lados da moeda. Se você tem medo de vivê-lo, na verdade, tem medo da realidade como ela é, sempre mutável e moldável.

A única coisa de que você pode ter certeza nesse cenário é da sua capacidade de fazer, da melhor forma possível, o que quer que escolha. Apegue-se a isso, e não ao "e se…"

O que quer que você escolha, vai conseguir fazer disso a melhor escolha possível, se a encarar como o único cenário possível, porque é o que "foi". E não existe nada além do que é.

Eu me sinto perdida. Não sei quem sou. Por onde devo começar?

“Recentemente, li um texto que falava sobre nossa necessidade e urgência em nos definirmos como uma coisa só, mas será mesmo que há uma resposta absoluta para uma vida tão múltipla?

Acredito que os valores que nos guiam em nossas escolhas sejam, de fato, inegociáveis, mas não há como sermos os mesmos em contextos e circunstâncias tão diferentes ao longo dos anos. Todas as nossas experiências nos marcam e nos moldam de alguma maneira. E, afinal de contas, não é essa uma das maiores belezas da vida?

A descoberta, ao longo do caminho, do que se quer e do que não se quer é desafiadora, mas gratificante e fantástica.

Acho que um dos melhores caminhos para descobrir essa essência mais sólida seja justamente se permitir descobertas, dar atenção àquilo que te deixa genuinamente feliz, sem tanta pressa. 🤍

— Resposta da nossa leitora, Anna Clara Melo

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