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extraordinários
10/09/26

BOM DIA
extraordinários
temos mania de nos acharmos extraordinários: julgamos que nossas ideias, esclarecimentos e potencial são sempre melhores que os dos outros. mas o curioso é que perceber que não somos tão bons assim é o que pode abrir espaço para a verdadeira e constante evolução.
….

Wow. Esse vídeo me fez ver muita coisa de um jeito diferente e prestar atenção ainda mais especial a tudo ao meu redor. ✨
Adorei assistir a esse filme. 🎞
Eu compartilho música antiga porque elas já puderam se comprovar como boas de verdade ao longo do tempo. 🎶
Para crescer, você vai precisar entender isso de uma vez por todas. 💡
E, na mesma linha, você vai precisar parar de fazer isso em você mesmo. 😲
Fui surpreendida por esse livro que ganhei de presente. 📚


Costumamos nos achar extraordinários. Todos nós temos, em alguma medida, em algum sentido, a péssima mania de nos acharmos melhores do que os outros.
Mais entendidos, mais maduros, mais inteligentes, conscientes, mais evoluídos e sensatos.
E essa postura aparece de forma muito mais sutil do que alguém dizendo explicitamente "eu sou superior".
Está naquele olhar atravessado quando alguém faz algo que consideramos errado e na fofoca que fazemos depois disso;
Está na impaciência com quem não pensa como nós;
Está na certeza de que sabíamos exatamente o que o outro deveria ter feito;
Está no moralismo ou em tantos outros julgamentos que colecionamos diante das pessoas que passam pelo nosso caminho.
Dostoiévski explora isso de maneira interessante em Crime e Castigo, através do personagem Raskólnikov, um jovem estudante que acredita ter desenvolvido uma teoria social revolucionária segundo a qual algumas pessoas extraordinárias estariam acima das regras morais comuns.
Para ele, certos indivíduos eram simplesmente ordinários, sem grandes habilidades ou potencial, enquanto outros seriam extraordinários e superiores e, por isso, poderiam ultrapassar os limites que se impõem às pessoas comuns — como a moral e a lei — se aquilo servisse a um propósito maior.
Raskólnikov acredita ser uma dessas pessoas fora da curva. Ele tem certeza de que é extraordinário. E, com essa convicção, começa a deformar tanto a maneira como enxerga a si mesmo e aos outros que comete um assassinato de uma vizinha agiota que tinha alguns bens.
Ele concluiu que ela não era digna de viver com o dinheiro que tinha tanto quanto ele, pois era uma pessoa simplesmente ordinária e, de certa forma, explorava necessitados. Então, a assassinou a machadadas.
A ficção exagera para nos provocar ao máximo ao nos mostrar que talvez exista um pequeno Raskólnikov em cada um de nós.
Podemos não ser criminosos, evidentemente, mas também podemos acreditar, em determinados momentos, que a nossa inteligência, as nossas boas intenções ou a nossa maneira de enxergar as coisas nos colocam um pouco acima dos demais… E é aí que começam muitos dos nossos problemas.
Porque, quando acreditamos que somos melhores, começamos a achar que as pessoas nos devem algo. Que deveriam nos compreender melhor e reconhecer o nosso valor. Que deveriam agir de acordo com aquilo que sabemos ser certo e, quando não fazem, ficamos indignados e vamos apodrecendo os nossos relacionamentos.
“O outro está sempre errado e nunca me entende; não é capaz de perceber o óbvio nem tem a mesma maturidade. Ninguém além de mim sabe o que é melhor ou como fazer as coisas direito.”
Nós, naturalmente, temos sempre uma boa explicação para as nossas próprias falhas e somos capazes de conceder a nós mesmos toda a complexidade que negamos aos outros.
Se você erra, havia um contexto; quando o outro erra, foi incompetência;
Quando você é ríspido, é porque estava cansado; quando o outro é ríspido, ele é mal-educado.
Ao não cumprir uma expectativa, você tem suas razões; quando alguém não cumpre a sua, te deve uma explicação. Aí está aquela arrogância do personagem de Dostoiévski que pode entrar em tudo que fazemos, de forma muito sutil. As nossas razões são sempre mais legítimas do que as dos outros.
E, se você pensar bem, as pessoas mais difíceis de conviver costumam carregar isso de maneira ainda mais evidente. Parecem caminhar pelo mundo esperando que ele reconheça a importância que atribuem a si mesmas. Não aceitam a opinião de ninguém e suas palavras sempre têm um tom de moralismo.
Há quem ande com essa pompa que parece exigir que o mundo abra passagem. E isso está na forma como falam, na maneira como recebem uma crítica, na dificuldade de admitir um erro, na expectativa de tratamento especial, nos relacionamentos e até na sua postura corporal.
Literalmente, sem perceber, muitos levam a teoria absurda do personagem de Raskólnikov ao pé da letra, mesmo a teoria sendo nada além de absurda.
A verdade é que não somos tão extraordinários quanto imaginamos. E será que existe algo como alguém superior em termos de humanidade a outros? Temos todos a mesma natureza, sempre sujeita aos piores erros e equívocos.
Perceber que estamos todos nesse mesmo barco — e, por isso, ninguém deve nada pra ninguém — pode ser mais libertador do que alguma forma de “ofensa”.
Porque é justamente assim, quando deixamos de precisar ser os mais certos da sala, que podemos ser reais, e é com isso que se criam os vínculos verdadeiros e boas convivências.
E é só a partir disso também que se abrem as portas para a verdadeira evolução. Porque, na verdade, somos melhores mesmo não quando descobrimos o quanto há de extraordinário em nós, mas quando percebemos o quanto ainda temos a aprender.
É justamente esse o movimento que acontece com Raskólnikov. Através do amor de Sonia, ele finalmente reconhece os seus erros e aceita as consequências deles. Confessa o crime, abandona a tentativa de justificar o injustificável e se dispõe a cumprir a sua pena na Sibéria.
E aqui está uma das coisas mais bonitas e geniais do desfecho da história: Sonia decide acompanhá-lo.
Ela não o acompanha porque ele conseguiu provar que era extraordinário nem porque deixou de ser um criminoso. Ela permanece ao lado dele justamente quando ele abandona a imagem que havia construído de si mesmo e aceita olhar para aquilo que realmente fez, que realmente é. Percebe a genialidade?
É quando estamos dispostos a ser verdadeiros e vulneráveis — quando deixamos de tentar parecer melhores do que somos — que podemos, de fato, construir qualquer coisa sólida com alguém.
— @Sarinha


tradução: “e agora que você não precisa ser perfeito, você pode ser bom.”
Sobre o desafio desta semana, você conseguiu prestar mais atenção às pessoas sorridentes, de bem com a vida e que reclamam menos, seja no seu círculo familiar e social ou fora dele, e trocar algumas palavras com elas? |
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Lembre-se de se interessar por elas. Talvez isso te faça sair desse encontro recarregado e inspirado a ser um pouco mais como essa pessoa, uma luz na vida daqueles ao seu redor que, nesse momento, pode não estar tão iluminada assim.


Cada um alcança a verdade que é capaz de suportar.
Não somos totalmente transparentes com nós mesmos. Possuímos desejos, medos, conflitos e mecanismos de defesa que operam fora do alcance da nossa consciência de forma clara.
E, muitas vezes, resistimos a reconhecer essas verdades, pois elas ameaçam algo que sustenta nossa identidade.
Intelectualmente, podemos até compreender, mas emocionalmente ainda não conseguimos sustentar as consequências dessa compreensão.
É por isso que uma interpretação só produz efeito quando o sujeito está em condições de recebê-la. Porque não se pode mudar alguém que não quer mudar ou que não reconhece que precisa mudar.
Isso pode ser simplesmente uma defesa da própria consciência de ter que se haver com as consequências disso. E a verdade é que não dá para obrigar qualquer mudança nem provar que ela é necessária para alguém se essa pessoa não estiver disposta.
Porque o obstáculo para a mudança nem sempre é a falta de conhecimento, mas a dificuldade e as consequências que certamente existirão em abrir mão das ilusões, justificativas e narrativas que organizam a nossa vida.
Assim, enquanto não existir uma disposição para reconhecer o que é preciso, a verdade continuará produzindo pouco ou nenhum efeito.


tradução: “O que é o amor?” -”É uma fraude neuroquímica.”
Estou conhecendo uma pessoa, mas sinto que ele não gosta muito das coisas que eu gosto. Eu gosto dele, mas do nada a minha mente começou a pensar em outra pessoa que passou na minha vida, mas que, na época, eu não dei tanta bola para ele. Agora, estou pensando nele e vejo o quanto a gente combina e tem gostos parecidos.
Ter gostos parecidos com a pessoa com quem você vai escolher se relacionar é bom? Pode ser, sim. Mas se relacionar com alguém que gosta de coisas diferentes também pode ser muito bom.
Pode ser maravilhoso ter uma companhia que quer os mesmos programas, escuta as mesmas músicas e usa o mesmo estilo de roupas. Mas também pode ser maravilhoso ter alguém que te faça olhar por outra perspectiva e te lembre que a relação é composta por dois indivíduos, inteiros, cada um com suas questões, batalhas, valores, mas que, juntos, escolhem combinar isso da sua forma.
Alguns estudos, inclusive, dizem que é um elemento importante para o desejo que um casal mantenha interesses e hobbies individuais, por exemplo, para que entendam que são pessoas separadas que escolhem caminhar juntas. Afinal, só existe desejo quando se trata de um objeto externo ao sujeito. Percebe?
Porém, acontece com frequência que muitas pessoas busquem em um relacionamento uma projeção de si mesmas.
“Como assim?”, você pode ter se perguntado. Acontece que você tem um ideal em mente que vem de si mesmo, da sua forma de pensar, dos seus valores e preferências. As expectativas que você cria vêm dos seus próprios padrões e crenças.
O problema não é saber o que quer e buscar alguém que tenha valores e objetivos coerentes com os seus. Isso é fundamental em um relacionamento.
O problema é quando esse ideal se torna tão fixado que, ao se chocar com a realidade de conhecer e se relacionar com uma pessoa real, que veio de um contexto e educação diferentes dos seus e, por isso, nunca irá preencher tudo aquilo que compõe seu ideal, acabe sempre sendo um motivo de frustração por não corresponder exatamente às expectativas.
Perceba se é isso que você está tentando fazer.
Se relacionar com uma pessoa em alguma medida diferente de você pode ser, em muitos sentidos, desafiador, mas pode também ser bom e dar certo desde que haja alinhamento no que é fundamental: objetivos e vontade de construir algo juntos que contemple os valores dos dois.
Mas pode ser que você simplesmente não queira isso. Pode ser que você prefira se relacionar com alguém mais parecido — e não há nada de errado nisso. É você quem terá que entender o que é importante para você, o que realmente quer e está disposta a fazer.
Em ambos os casos, tome sempre cuidado com os ideais que cria, para que isso não te impeça de viver coisas incríveis com pessoas reais, que serão sempre, em alguma medida, diferentes de você e, por isso, irão exigir algum esforço e dedicação para seguir construindo lado a lado.
Como faço para parar de depender da opinião do outro para ser feliz?
“Talvez a gente nunca pare completamente de depender da opinião dos outros. Somos seres sociais, afinal. O problema começa quando a opinião do outro deixa de ser uma informação e passa a ser uma sentença sobre quem somos.
Acho que a liberdade começa quando entendemos que nem toda opinião merece o mesmo peso.
Tem gente que conhece a nossa história, acompanha nossas escolhas e quer genuinamente o nosso bem;
Tem gente que conhece só uma versão nossa, vista de longe;
E tem gente que simplesmente está projetando as próprias inseguranças na gente.
Não faz sentido entregar a todas essas pessoas o mesmo poder.
Por muito tempo, eu achei que precisava ser compreendida para ficar em paz. Hoje, penso que, às vezes, basta eu saber por que escolhi determinada coisa. Nem todo mundo vai entender. Nem todo mundo vai aprovar. E tudo bem.
Talvez ser feliz não seja aprender a não se importar com o que os outros pensam, mas aprender a não se abandonar toda vez que alguém pensa diferente de você.
No fim, a pergunta talvez não seja ‘o que vão pensar de mim?’, mas ‘o que eu penso de mim quando ninguém está olhando?’".
— Resposta da nossa leitora, Talita Gascho
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O amor faz todas as coisas crescerem.

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cc: @sarah.ferrreira
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